- Diogo, ambos sabemos que não posso ficar. É demasiado doloroso
partir e ficar longe de ti. Sabes, quando te deixei naquela clínica senti que a minha vida deixara de fazer sentido. E pergunto-me, como
é que um estranho tem este poder hipnotizante na minha vida? Pensei, repensei e
não encontrei mais nenhuma resposta para além desta: O destino quer que
fiquemos juntos. Eu acredito no destino e tu?
- Margarida, eu acredito em factos científicos e isso que tu disseste é abstracto.
- Já não sei o que fazer para convencer-te a vir comigo.
- Acho que não podes fazer nada em relação a isso. A minha
decisão está tomada e não vou voltar atrás, desculpa.
Tento sorrir, mas não sou capaz. Apetece-me gritar, atirar-me
de um penhasco e principalmente desaparecer…
Sinto que não pertenço a nenhum lugar. Tento acalmar-me, quero que as lágrimas desapareceram,
mas é impossível. – Se
essa é a tua ideia, não posso fazer nada para além de respeitá-la. Vai-me
custar muito, mas tenho de ser forte e agir como uma mulher. Já não vou pedir
mais nenhuma vez para vires comigo, estaria a rebaixar-me e eu não quero fazer isso.
- Desculpa, Margarida.
- Não peças. Tu vais seguir com a tua vida e eu vou seguir
com a minha.
- Mas, Margarida eu quero… - Interrompo-o colocando um dedo na sua boca.
- Não. Não digas mais nada. Já percebi. Eu respeito a tua
ideia, agora tens de respeitar a minha. – Olho para o relógio – Tenho de ir. Os
meus colegas estão à minha espera – Ele acena a cabeça e fecha os olhos.
Abro a
porta do jipe, mas sou impedida de entrar. Ele abraça-me e ficamos agarrados durante alguns segundos e por fim, os nossos lábios tocam-se. É
a nossa despedida...
Afasto-me dele e sorrio. Sento-me no banco, fecho a porta e coloco o cinto
de segurança. O Diogo põe a mão no vidro do automóvel e eu faço o mesmo.
Os seus lábios formam um sorriso e de seguida mexem-se, dizendo adeus… As lágrimas não param de cair e reparo que ele também está a chorar. Ligo o
motor do carro e ambos afastamos as mãos da janela, arranco e ele fica cada vez mais
distante.
(Capítulo 4)