domingo, 28 de julho de 2013

Apontamentos...

- Diogo, ambos sabemos que não posso ficar. É demasiado doloroso partir e ficar longe de ti. Sabes, quando te deixei naquela clínica senti que a minha vida deixara de fazer sentido. E pergunto-me, como é que um estranho tem este poder hipnotizante na minha vida? Pensei, repensei e não encontrei mais nenhuma resposta para além desta: O destino quer que fiquemos juntos. Eu acredito no destino e tu?

- Margarida, eu acredito em factos científicos e isso que tu disseste é abstracto.
- Já não sei o que fazer para convencer-te a vir comigo.
- Acho que não podes fazer nada em relação a isso. A minha decisão está tomada e não vou voltar atrás, desculpa.

Tento sorrir, mas não sou capaz. Apetece-me gritar, atirar-me de um penhasco e principalmente desaparecer… Sinto que não pertenço a nenhum lugar. Tento acalmar-me, quero que as lágrimas desapareceram, mas é impossível. – Se essa é a tua ideia, não posso fazer nada para além de respeitá-la. Vai-me custar muito, mas tenho de ser forte e agir como uma mulher. Já não vou pedir mais nenhuma vez para vires comigo, estaria a rebaixar-me e eu não quero fazer isso.

- Desculpa, Margarida.

- Não peças. Tu vais seguir com a tua vida e eu vou seguir com a minha.

- Mas, Margarida eu quero… - Interrompo-o colocando um dedo na sua boca.

- Não. Não digas mais nada. Já percebi. Eu respeito a tua ideia, agora tens de respeitar a minha. – Olho para o relógio – Tenho de ir. Os meus colegas estão à minha espera – Ele acena a cabeça e fecha os olhos.
Abro a porta do jipe, mas sou impedida de entrar. Ele abraça-me e ficamos agarrados durante alguns segundos e por fim, os nossos lábios tocam-se. É a nossa despedida...
Afasto-me dele e sorrio. Sento-me no banco, fecho a porta e coloco o cinto de segurança. O Diogo põe a  mão no vidro do automóvel e eu faço o mesmo.
Os seus lábios formam um sorriso e de seguida mexem-se, dizendo adeus… As lágrimas não param de cair e reparo que ele também está a chorar. Ligo o motor do carro e ambos afastamos as mãos da janela, arranco e ele fica cada vez mais distante.

(Capítulo 4)

 

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